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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Síndrome de Down



O Mongolismo, mais tarde conhecido por Síndroma de Down foi descrito a primeira vez na Grã – Bretanha, no século XIX, pelo médico inglês Jonh Langdon Down num artigo publicado no London Hospital Clinical Lectures and Reports (Londres, 1866), com base em algumas características observadas em crianças internadas num asilo de Surrey (Inglaterra). Na segunda metade do século XX, Lejeune e colaboradores (Paris, 1959) descobrem que o Mongolismo resulta da presença de um cromossoma 21 supranumerário (3 cromossomas, em vez dos dois habituais), pelo que esta patologia genética passou a designar-se por, Trissomia 21.
A trissomia 21 é uma desordem cromossómica, cuja causa se situa ao nível do material genético do cromossoma 21, daí que esta seja assim denominada (Capone, 2004; Sampedro, Blasco & Hernández, 1993). Do que se conhece não é uma doença curável, embora se possa fazer alguma prevenção (Capone, 2004). As crianças com esta perturbação apresentam várias características desenvolvimentais e físicas semelhantes entre si, mas distintivas da generalidade das crianças. Estas características passam por um atraso global no desenvolvimento, nomeadamente ao nível da cognição, linguagem e áreas motoras (Capone, 2004).

Segundo Miguel Palha (cit por Troncoso et al, 2004) a maioria das crianças com Trissomia 21 apresenta um défice cognitivo, embora com dimensões muito variáveis. De um modo geral, o défice cognitivo é ligeiro a moderado, embora muito raramente, sejam relatados casos com défice cognitivo grave apesar das crianças com Trissomia 21 apresentarem bons níveis de autonomia pessoal e social.

É difícil determinar os factores responsáveis por essa anomalia, no entanto, vários especialistas estão de acordo quanto à existência de uma multiplicidade de factores etiológicos que interactuam entre si (Sampedro, Blasco e Hernàndez, 1997).

São referidos factores hereditários como a mãe ser portadora de Trissomia 21 ou um dos progenitores possuir um mosaico para a trissomia; a existência de precedentes familiares; existência de translocação num dos pais (Hassold, & Sherman, 2002).

A idade da mãe é um dos factores etiológicos mais referidos, defendendo-se que a probabilidade de uma mãe dar à luz uma criança com Trissomia 21 aumenta a partir dos 35 anos, havendo uma percentagem ainda mais elevada se tiver idade superior a 40 anos. Contudo, há um número razoável de mães de crianças com Trissomia 21 de idade inferior (Fidler, 2008).

São ainda apresentados factores externos e ambientais como: problemas infecciosos; agentes víricos como a Hepatite e a Rubéola; exposição a radiações: quando os progenitores estiverem expostos, mesmo anos antes, a agentes radioactivos; alguns agentes químicos que podem provocar mutações genéticas, como o alto teor de flúor na água e a poluição atmosférica; stress emocional; má função da tiróide da mãe; elevado índice de imunoglobina e de tiroglobulina no sangue materno em que o aumento de anticorpos está associado ao avanço da idade da mãe; e deficiências vitamínicas – Hipovitaminose (Hassold, & Sherman, 2002).

A incidência da Trissomia 21 em Portugal é de 100 a 120 nascimentos de bebés com esta patologia por cada ano. Actualmente, haverá entre 12000 a 15000 pessoas afectadas por este síndrome (Miguel Palha cit por Troncoso et al, 2004).
Existem três tipos de trissomia 21: Trissomia 21 de Tipo Livre ou Regular; Trissomia 21 por Translocação e, por último, Trissomia 21 por Mosaico.
  • Trissomia 21 de tipo livre: Na grande maioria dos casos (95%), verifica-se que os indivíduos possuem Trissomia 21 livre, regular ou Trissomia homogénea. Nestes casos, a distribuição errada dos cromossomas está presente antes mesmo da fecundação. Ocorre durante o desenvolvimento do óvulo ou do espermatozóide, ao dar-se a meiose (divisão celular).



Todas as células dos indivíduos portadores de Trissomia 21 são idênticas, possuindo um cromossoma extra no par 21, estando os três cromossomas livres.
Fried (1980, citado em Morato, 1995) indicou oito sinais indispensáveis para a imediata identificação ao nascimento, sendo de considerar que nenhum dos oito sinais se deve considerar específico da Trissomia 21, mas sim a combinação de seis deles permitirá uma identificação clínica imediata:

1. Abundância de pele no pescoço;
2. Cantos da boca virados para baixo;
3. Hipotonia generalizada;
4. Face chata;
5. Orelhas displásticas;
6. Epicanto da prega dos olhos;
7. Intervalo entre o primeiro e o segundo dedo;
8. Proeminência da língua.

  • Trissomia 21 por translocação: Na translocação, uma parte do cromossoma extra está unido à totalidade ou parte de outro. Normalmente ocorre devido à troca de uma parte de um cromossoma do par 21 com uma parte de outro cromossoma de outro par, como o 13, 14, 15 e 22, sendo o 14 o mais frequente. Nestes casos, todas as células são portadoras de Trissomia. A sua frequência é de 4%.


A ausência de evidência dos sinais típicos do fenótipo da alteração por translocação em função da sua maior diversidade não permite com garantia o recurso à escala de Fried apresentada, sendo necessária a confirmação por exame de cariótipo.
Nestes casos, um dos progenitores pode ser portador genético do cromossoma de deslocação, apesar de ser física e mentalmente normal.
  • Trissomia 21 por mosaico: Na situação de Mosaicismo, nem todas as células estão atingidas. Neste caso, a presença do cromossoma 21 extra verifica-se apenas numa porção das células. Definem-se duas linhas celulares: uma sem Trissomia 21 e outra Trissómica. Esta modalidade tem uma frequência de 1%, sendo a mais rara.

As consequências desta mutação no desenvolvimento do embrião dependem do momento em que ocorreu a divisão defeituosa. Quanto mais tardia for, menos células serão afectadas pela Trissomia (Morato, 1995).
Os genes são responsáveis pelo aspecto físico e pelas funções de todo o ser humano. Assim sendo, a Trissomia 21, tratando-se de uma anomalia genética, acarreta algumas alterações / características físicas muito particulares e específicas.
Sampedro, Blasco e Hernández (1997) e Werneck (1995) afirmam que as crianças com Trissomia 21 apresentam as seguintes características físicas:

- A cabeça é mais pequena e a sua parte superior é levemente achatada (braquicefalia). A ruptura metópica permanece aberta durante mais tempo.
- No que diz respeito à face, esta tem aspecto plano, porque a ponta do nariz é ligeiramente mais baixa e as maçãs do rosto mais altas, fazendo também com que o nariz pareça, mais pequeno e achatado.
- Os olhos são ligeiramente inclinados para cima e rasgados com uma pequena prega de pele nos cantos anteriores (prega epicântica). Algumas crianças trissómicas apresentam, na zona da íris, manchas brancas e amareladas, denominadas de ―Brushfield‖, devido à despigmentação.
- As orelhas são geralmente pequenas, assim, como os lóbulos auriculares.
- A boca é relativamente pequena e tende a manter-se aberta, porque estas crianças têm a nasofaringe estreita e as amígdalas muito grandes. O céu-da-boca é elevado em forma de ogiva.
- A língua é grande com sulcos profundos e irregulares. A partir dos dois anos tem um aspecto característico, com papilas muito desenvolvidas. Devido à falta de tonicidade, a língua tem tendência a sair fora da boca.
- Os dentes demoram mais tempo a sair e, assim sendo, a dentição de leite é mais tardia e incompleta do que o normal. Os dentes são mais pequenos e irregulares.
- Geralmente, a voz é gutural, baixa e a sua articulação difícil.
- Os braços e as pernas são curtos em comparação com a longitude do tronco e as mãos são largas, gordas com dedos curtos. Cerca de metade das crianças têm apenas uma prega transversal na palma da mão (linha simiesca). Os pés são largos, com um espaço amplo entre o primeiro e o segundo dedo do pé.
- A pele é geralmente seca e áspera.

Um dos sinais mais recorrentes nas crianças com Trissomia 21 é a hipotonia muscular, sendo este o factor responsável pelo seu atraso no desenvolvimento motor (Santos, 2009).
As articulações musculares apresentam-se um pouco relaxadas, sendo inúmeros os atrasos nas diversas áreas perceptivo-motoras, designadamente fraco equilíbrio para exercitar uma sequência de movimentos rápidos, uma vez que os reflexos são lentos e fracos (Santos, 2009).

No que diz respeito à motricidade grossa, as aquisições das crianças com Trissomia 21 estão mais atrasadas, sendo típicos os problemas de equilíbrio, assim como as dificuldades no controlo do próprio corpo (Santos, 2009).
Relativamente à motricidade fina, estas crianças mostram dificuldades na execução das tarefas.

Segundo Sampedro, Blasco e Hernández (1997):
―O desenvolvimento motor da criança com Síndrome de Down, se esta tiver beneficiado de um programa de Intervenção Precoce adaptado, não manifestará grandes diferenças quando comparadas com a de outras crianças, embora a sua fraca tonicidade, a sua falta de atenção e outras características particulares possam dificultar esse desenvolvimento.‖
Em relação ao desenvolvimento cognitivo de um modo geral, os indivíduos com Síndrome de Down apresentam problemas de desenvolvimento (em maior ou menor grau) nos seguintes processos:
- Percepção — dificuldade na capacidade de discriminação visual e auditiva (principalmente quanto a discriminação da intensidade da luz), no reconhecimento táctil em geral e objectos a três dimensões, na cópia e reprodução de figuras geométricas e na rapidez perceptiva (tempo de reacção).
- Atenção — défice na capacidade de fixação, focalização e mobilização;
- Expressão do seu comportamento, temperamento e sociabilidade;
- Memoria a curto e médio prazo e dificuldade na organização do material memorizado;
- Mecanismos de correlação, análise, cálculo e pensamento abstracto;

- Linguagem expressiva — devido a dificuldades respiratórias, perturbações fonatórias e de articulação e perturbações auditivas.

Segundo Stray – Gundersen (2007), todas as crianças com Trissomia 21 aprenderão habilidades em cada uma das seis áreas do desenvolvimento: motricidade global; motricidade fina; linguagem; cognição; socialização e autonomia. As características individuais da criança determinarão o seu padrão de desenvolvimento. Algumas crianças demoram mais tempo do que outras e não dominam certas habilidades tão bem como outras.




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Importância de trabalhar em equipa multidisciplinar

Olá a todos... Como já repararam hoje vamos falar de um tema, já debatido, defendido por muitos e odiado por outros tantos... a Importância de se trabalhar numa equipa multidisciplinar.

Antes de mais, equipa multidisciplinar, significa que é um grupo de pessoas de áreas de intervenção diferentes mas, pertencentes à mesma "área- mãe".

Ou seja, dentro da área da saúde podemos encontrar, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, psicomotricista, terapeuta ocupacional, terapeuta da fala, entre outros. Em conjunto, trabalham com um objectivo comum... Criar um plano de intervenção de modo a que o utente tenha uma melhor qualidade de vida.
Por isso, trabalhar em equipa é uma condição imprescendível principalmente na área da saúde e quando trabalhamos com crianças!



Nestas reuniões, a troca de impressões e pontos de vista, de experiências, enriquece-nos e não nos deixa cristalizar nos conhecimentos. Na discussão, todos auferem de mais saberes; com os outros profissionais ouvimos falar de experiência, entendemos melhor as áreas dos outros profissionais, e também não duplicamos intervenções.

Graças a estas equipas multidisciplinares, olhamos para a criança e para os mais variados sintomas que esta apresenta como uma mistura, embora em percentagens diferentes, de factores orgânicos, neurobiológicos, factores psicológicos e cognitivos, factores emocionais, afectivos, sociais e familiares.

Concluindo, devemos respeitar todas as opiniões e alargar os nossos conhecimentos... Devemos interagir com todos os terapeutas e pensar apenas no bem- estar do utente... que afinal de contas, é o que qualquer profissional deseja...



Fonte: Um olhar para a criança de João Costa

domingo, 14 de outubro de 2012

Shaken baby



Um tema não muito conhecido em Portugal mas que existe.... Obrigada às minhas companheiras de trabalho... :)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Disgrafia

Hoje, vamos falar de Disgrafia... Por certo, já alguém se deparou com a palavra "disgrafia" e sentiu curiosidade em saber realmente do que se trata... é então disto que vamos tratar...
A Disgrafia trata-se de perturbações da escrita que surgem em crianças, e que não correspondem a lesões cerebrais ou problemas sensoriais, mas a perturbações funcionais. Esta perturbação afecta a qualidade da escrita do sujeito, no que se refere ao traçado ou à grafia.

Todos concordamos que, o acto da escrita não é uma tarefa fácil e este gesto necessita de pré-requisitos para ser bem concretizado... 
Por isso, para uma correcta execução caligráfica, a criança deverá ser capaz de:

  • Encontrar o seu próprio equilíbrio postural e a forma menos tensa e cansativa de segurar o lápis;
  • Orientar o espaço sobre o qual tem de escrever, e a linha sobre a qual vai colocar as letras (da esquerda para a direita);
  • Associar a imagem da letra ao som e aos gestos rítmicos que lhe correspondem.
Etiologia

De acordo com Lianares (1993) as causas mais habituais da disgrafia são causas motoras, no entanto existem outros factores etiológicos:

  1. Causas de tipo maturativo: perturbações da lateralidade; perturbações da eficiência psicomotora. 
  2. Causas caracteriais: factores de personalidade; factores psicoafectivos.
  3. Causas pedagógicas: orientação deficiente do processo de aquisição de destrezas motoras; ensino rígido e inflexível... 
Características disgráficas 

A criança com disgrafia apresenta uma série de sinais ou manifestações secundárias de tipo global que acompanham o seu grafismo defeituoso. As mais frequentes são as seguintes:

  • Postura gráfica incorrecta;
  • Forma incorrecta de segurar o instrumento com que escreve;
  • Alterações na preensão e na pressão;
  • Ritmo de escrita muito lento ou excessivamente rápido.

A avaliação da disgrafia é realizada através de várias provas formais além de uma avaliação informal realizada por profissionais da saúde. É importante o testemunho dos pais, professores e todas aquelas pessoas que lidam diariamente com a criança. 

Intervenção na disgrafia 

A Psicomotricidade na intervenção de uma criança com disgrafia pode ser abordada de três formas:

  1. Reeducação psicomotora de base aborda: relaxamento global e segmentar; coordenação dinâmica geral; esquema corporal; controlo postural e equilíbrio; lateralidade; organização espácio - temporal.
  2. Reeducação psicomotora diferenciada aborda: controlo segmentar; coordenação dinâmica das mãos.
  3. Reeducação visuomotora aborda: coordenação óculo - manual.
  4. Reeducação do grafismo aborda: reeducação grafomotora preparatória; correcção de erros específicos do grafismo (referentes a forma, tamanho, inclinação, espaçamento e ligações).



Voltarei em breve, com mais novidades...  

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Disortografia



A disortografia é mais uma perturbação que encaixa no grande tema das dificuldades de aprendizagem... 
Sendo assim, o que é então a disortografia? A disortografia é "o conjunto de erros de escrita que afectam a palavra mas não o seu traçado ou grafia". 
E olhando para esta problemática, podemos pensar quais são os requisitos que uma criança deverá possuir para uma aprendizagem correcta da leitura e da ortografia... E são vários... e várias áreas que estão implicadas... 


Áreas implicadas
Capacidades específicas
Área motora
Lateralidade adequada
Motricidade dinâmica manual
Área perceptiva
     Percepção auditiva

Percepção visual

                       

                          Percepção espácio - temporal


Discriminação auditiva
Integração auditiva
Memória auditiva
Discriminação figura-fundo
Constância da forma
Memória visual
Estruturação e orientação no espaço
Estruturação temporal e rítmica
Área do pensamento lógico
Operações lógico – concretas
Operações de inclusão
Operações de seriação
Área linguística
Morfossintaxe
Semântica
Vocabulário do sujeito
Área afectiva – emocional
Adaptação escolar
Controlo emocional
Desejo de aprender



Causas da Disortografia

Tendo em conta os requisitos necessários para levar a cabo um processo ortográfico correcto podem citar-se as seguintes causas:

Causas de tipo perceptivo: Deficiências na percepção e na memória visual e auditiva
                                         Deficiências a nível espácio - temporal

Causas do tipo intelectual: Défice ou imaturidade intelectual

Causas de tipo linguístico: Problemas de linguagem
                                        Deficiente conhecimento e utilização do vocabulário

Causas de tipo afectivo - emocional: Baixo nível de motivação

Causas de tipo pedagógico

Características disortográficas

A disortografia implica uma série de erros sistemáticos e reiterados na escrita e na ortografia, que podem provocar a total ininteligibilidade dos textos. Logo, podemos encontrar vários tipos de erros, vejam o esquema seguinte:

Erros de carácter linguístico - perceptivo: Substituição de fonemas vocálicos ou consonânticos afins pelo ponto ou modo de articulação;
                                                               Omissões
                                                               Adições
                                                               Inversões de sons por incapacidade de seguir a sequência dos fonemas 

Erros de carácter visuoespacial: Substituição de letras que se diferenciam pela sua posição no espaço
                                                 Substituição de letras semelhantes nas suas características visuais
                                                 Escrita de palavras ou frases em espelho 
                                                 Confusão em palavras com fonemas que admitem dupla grafia
                                                 Confusão em palavras com fonemas que admitem duas grafias , em função das vogais
                                                 Omissão da letra "h" por não ter correspondência fonética 

Erros de carácter visuoanalítico: Dificuldade em fazer síntese e a associação entre fonema e grafema

Erros relativos ao conteúdo: Dificuldades em separar sequências gráficas pertencentes a dada sequência fónica, respeitando os espaços em branco

Erros referentes às regras de ortografia: Não colocar "m" antes de "p" e "b"
                                                            Infringir regras de pontuação
                                                            Não respeitar as maiúsculas depois do ponto ou no início do texto
                                                            Não hifenizar nas mudanças de linha. 


Segundo Luria (1980) existem sete tipos de disortografia distintos, que não iremos abordar neste post.
Em relação à avaliação da disortografia, esta é realizada através de várias provas com critérios muito pormenorizados que só profissionais da saúde as podem utilizar e revelar os resultados. 

Intervenção na disortografia 

Existem várias técnicas e actividades recomendadas na intervenção de crianças com disortografia:


  • Inventários cacográficos 
  • Ficheiro cacográfico
  • Actividades de percepção, discriminação e memória auditiva
  • Actividades de percepção, discriminação e memória visual
  • Actividades de organização e estruturação espacial
  • Actividades de percepção linguístico - auditiva
  • Actividades de léxico e vocabulário
  • Actividades de intervenção específica sobre os erros ortográficos

Mais uma vez, salienta-se a importância do acompanhamento em equipas multidisciplinares, nomeadamente Psicomotricistas! 


Fonte: Dislexia, Disortografia e disgrafia. Rosa M.ª Rivas Torres e Pilar Férnandez. Editora MacGraw- Hill. 2001





quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dislexia





Bem, mais uma vez vou dar prioridade a assuntos relacionados com as crianças na idade escolar... Hoje então, falaremos sobre a dislexia...

Dislexia significa dificuldades na aprendizagem da leitura. Esta perturbação aparece em indivíduos com uma inteligência normal, sem problemas neurológicos ou físicos evidentes, que não apresentam problemas emocionais ou sociais, que não provêm de meios sócio-económicos culturais desfavorecidos e que não foram submetidos a processos de ensino inapropriados. 
Este tipo de definição permite-nos distinguir dois tipos de dislexia: a adquirida (por traumatismo ou lesão cerebral) e evolutiva ou de desenvolvimento (por défice de maturação). O que difere uma da outra, é que na primeira a criança sabia ler e escrever e após lesão ou trauma deixou de o conseguir fazer enquanto que na segunda, a criança apresenta desde o início da aprendizagem problemas na aquisição da leitura e da escrita.
Relativamente à etiologia da dislexia podemos dizer que factores neurológicos e factores cognitivos podem estar relacionados com a origem desta perturbação. Em relação a este sub-tema não me alargarei em desenvolvimentos, aconselho leitura adicional ou se as condições forem propícias voltaremos mais tarde a este assunto.
Continuando, bem, como podemos então saber se estamos perante uma criança com dislexia (e quando falo em dislexia, refiro-me à dislexia evolutiva). Sendo assim, podemos destacar alguns "sintomas" a que pais e professores podem estar atentos. Em geral, estas características/ sintomas da dislexia agrupam-se em dois grupos: as comportamentais e escolares. 
Em relação à primeira, podemos ter sinais de ansiedade, baixo auto- conceito, aparecimento de condutas típicas de etapas ou anos anteriores e perturbações psicossomáticas. Esta ansiedade poderá surgir devido à  forma como a criança assumiu o seu problema ou então, quando a criança tenta compensar o seu fracasso escolar através da procura de popularidade ou mesmo de comportamentos mais agressivos para com os colegas.
No que respeita às características escolares, estas são observáveis em processos de leitura e de escrita. 
Como é então a leitura de uma criança disléxica?
A leitura de um disléxico é lenta, sem ritmo, com uma leitura parcial das palavras, perda da linha em que estava a ler, confusões quanto à ordem das letras, inversões de letras ou palavras e incapacidade para ler fonologicamente. Em relação à escrita, esta afecta a componente motora do acto de escrever provocando, compressão e cansaço muscular, caligrafia deficiente, letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas. 

Além destas dificuldades podemos ainda destacar problemas em diferenciar a esquerda da direita, problemas de orientação, associação de rótulos verbais a conceitos direccionais e alterações no domínio psicomotor. 

Para melhor compreender se a criança é disléxica ou se apresenta outra alteração que possa estar de alguma maneira relacionada com a explicação que aqui foi apresentada, aconselha-se a avaliação de um profissional da saúde. Só eles podem certificar-se do que realmente se passa com a criança. Por isso, se suspeita que lida com alguma criança que poderá ser disléxica, o melhor é levá-la a um profissional de saúde para este a avaliar e depois dos resultados, seguir ou não para uma intervenção multidisciplinar.

Espero mais uma vez, ter ajudado... Alguma dúvida, não hesitem... Acredito que ainda voltaremos a este tema. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Transtorno Comportamentais Disruptivos



Pois bem, já não dava notícias à algum tempo, peço desculpa por isso. Numa altura em que entramos no novo ano escolar e onde se vêm todos os tipos de reacções, falo-vos um bocadinho sobre este tema.
Entre estes Transtornos Comportamentais Disruptivos estão o Transtorno Desafiador e de Oposição, o Transtorno de Conduta e Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA).
Quanto à evolução deste tipo de patologia e consequências sociais associadas, são diversos os trabalhos que a relacionam com a criminalidade, perturbações psiquiátricas, consumos de drogas, precariedade laboral, prostituição, promiscuidade sexual e detenções.

§  Transtorno Desafiador e Opositivo

O Comportamento Desafiador Opositor consiste num transtorno psicológico caracterizado, principalmente, por comportamentos apresentados pelo adolescente, no sentido de agir contrariamente àquilo que se pede ou se espera delas.
Este problema tem sido, progressivamente, objecto de estudos e publicações científicas. Há um consenso entre pesquisadores quanto às características usadas para descrever este transtorno, evidenciadas, por exemplo, nos excertos a seguir:

O transtorno de oposição é um transtorno disruptivo, caracterizado por um padrão global de desobediência, desafio e comportamento hostil. Os pacientes discutem excessivamente com adultos, não aceitam responsabilidade por sua má conduta, incomodam deliberadamente, possuem dificuldade de aceitar regras e perdem facilmente o controlo, se as coisas não seguem a forma que eles desejam (Serra-Pinheiro et al., 2004, p.273).
Como em todos os problemas de personalidade, este transtorno é acompanhado por diversos sintomas, sendo eles: frequentemente perdem a paciência, discutem com adultos, desafiam ou recusam a obedecer a solicitações e regras dos adultos, perturbam as pessoas deliberadamente e frequentemente responsabilizam os outros pelos seus erros ou maus comportamentos. (Kaplan; Sadock; Grebb, 2003, p.995).

Segundo o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV) os sintomas devem estar presentes por pelo menos seis meses e deve haver clara evidência de prejuízo significativo no funcionamento social, académico ou ocupacional do adolescente (Arnold, L. et all, 2004).
Este comportamento é o responsável pela maioria das indicações a serviços de psiquiatria infantil (Garland et al., 2001). Também estão associados a disfunções pessoais, familiares, sociais e no âmbito académico. Os adolescentes com transtorno desafiador de oposição têm mais disfunções familiares (Greene et al., 2002) e usam mais abordagens negativas diante do conflito (Edwards et al., 2001). São mais rejeitadas por colegas e têm maiores índices de recusa escolar (Harada et al., 2002. Para o tratamento, temos as psicoterapias de diferentes orientações teóricas, ao que têm sido usadas para tratar transtornos disruptivos, mas o maior corpo de evidência disponível na literatura atribui eficácia para abordagens cognitivo-comportamentais (Barkley et al., 2001).

§  Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA)

Na adolescência, entre os 10 e 20%, apresentam problemas emocionais, tal incidência é preocupante quando se pensa nas repercussões desses problemas no desenvolvimento pessoal (Lopes, F. 2004).
A PHDA tem como maior prevalência no sexo masculino e caracteriza-se por sintomas como hiperactividade e impulsividade, com ou sem desatenção, ou somente por aspectos desatenção inapropriados à idade.
O diagnóstico detecta um padrão persistente de sintomas que inicia, geralmente, antes dos sete anos de idade, acusando, significativo prejuízo escolar, social e ocupacional. São manifestações desta perturbação a desatenção (falta de atenção, a detalhes, dificuldade de manter atenção em actividades e de persistir nessas até ao final, dificuldade de concentração e organização, falta de cuidado com os seus materiais de trabalho, dificuldade em atender a solicitações ou instruções), a hiperactividade (inquietude, andar ou correr inadequadamente, de forma excessiva, falar demasiadamente, dificuldade em participar nas actividades sedentárias) e a impulsividade (impaciência, dificuldade para protelar respostas ou aguardar a sua vez, intromissão nos assuntos alheios, comentários inoportunos, desobediência a instruções, pegar em objectos alheios, envolvimento em actividades perigosas). Pode, no entanto, manifestar-se com um padrão predominantemente desatento, ou hiperactivo-impulsivo, ou por meio do tipo combinado, com ambos os padrões sintomáticos (Niederhofer. H, et all, 2004).
Os adolescentes com PHDA, em geral, são instáveis emocionalmente, agindo de forma impulsiva e irritadiça, podendo apresentar dificuldades em participar nas actividades de grupo, falhas na produtividade e prejuízos no funcionamento académico e social. A sensação de inadequação, baixa auto-estima e adversidades no grupo social provocam frustração, podendo gerar comportamentos autodestrutivos ou autopunitivos (DSM-IV, 2002).
Verifica-se que, praticamente, 50% dos adolescentes que apresentam esta perturbação têm também o transtorno desafiador opositivo ou de conduta. É importante diferenciar o comportamento opositivo de um adolescente (retratado anteriormente) com PHDA, e de outra, cuja atitude seja de não submissão às exigências dos outros (Faraone, LA et all, 2003).


§  Transtorno de Conduta

O transtorno de conduta está associado a disfunções pessoais, familiares, sociais e académicas (Serra-pinheiro MA, et all, 2005), assim como a um mau prognóstico para a vida adulta, com alto risco para depressão, tentativas de suicídio (Capaldi. DM, 1992), abuso de substâncias etc. Este transtorno caracteriza-se também por um padrão persistente de comportamento, no qual há importantes violações de normas sociais ou dos direitos alheios. Estas manifestações concentram-se num quadro de grupos de sintomas: actos agressivos a pessoas e/ou animais, acções que provocam danos e/ou destruição de patrimónios, fraude ou furto e sérias violações às regras e normas. O comportamento pode expressar-se em hostilidade, provocações, agressão física e comportamento cruel. Também podem ser verbalmente abusivas, impudicas, manipuladoras, desafiadores e negativistas em relação aos adultos.

No ambiente escolar, adoptam os seguintes comportamentos: mentiras, falta às aulas e vandalismos. As manifestações das condutas são variadas e estáveis, especialmente, na família, na escola e na comunidade. Três ou mais destes comportamentos devem estar presentes nos últimos doze meses ou, pelo menos, um deles nos últimos seis meses, para poder caracterizar este transtorno. Estes adolescentes sofrem muito com os prejuízos sociais e interpessoais com este tipo de manifestações psicopatológicas, pois, não conseguem desenvolver vínculos e, raramente, sentem-se culpados ou responsabilizam-se pelo seu comportamento (Smith, G. e Loeber R., 2005).    


Espero que tenha sido esclarecedor... Alguma dúvida não hesitem!